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#Coluna - Nas Entrelinhas - Escrevo para Você, por Ricardo Biazotto

Escrevo para Você
Ricardo Biazotto


A madrugada avança noite adentro e o vinho impregnado em minha corrente sanguínea me leva a uma pergunta perturbadora sobre o meu estado de espírito como escritor de bobagens sentimentais: por que diabos escrevo?

Não sou poeta do mundo, que através de seus versos busca a paz mundial ou o encantamento através das maravilhas da natureza. Não sou poeta do amor, que lamenta a ausência da pessoa amada com a mesma intensidade que declara a felicidade instantânea causada pelo encontro de lábios sedentos pelo sabor da paixão. Tampouco sou poeta da dor, chorando os traumas do passado, convivendo com as decepções do presente e tentando se preparar para as angústias futuras.

Então será mesmo que tenho motivos para escrever? Afinal, o que quero vai além de apenas usar palavras para transmitir pensamentos ocultos e obscuros de uma mente perturbada pelas cruzes carregadas em toda uma vida. Quero falar sobre o que me inspira e me faz querer viver.

E se os poetas escrevem sobre os cacos de vidro, sou como aquele que contrariou esta afirmação. Não por não falar sobre a dor e sobre as cicatrizes deixadas em minha pele por dramas passados. Isso é constante em meus relatos. Também não evito falar dos cortes causados por um arame farpado que arranhou o órgão vital para a sobrevivência humana. Essa dor continua viva em meu peito e faz parte de todo o meu viver.

A questão vai muito além do que escrevo e aí que talvez encontre a resposta do por que escrevo.

Escrevo porque razão e emoção estão em uma interminável guerra em meu interior. Às vezes o rufar das batidas do coração impossibilita o cérebro de usar a sua lógica para armar o próximo ataque, mas isto não é suficiente para impedir que este esteja sempre dois passos à frente, como um verdadeiro enxadrista pronto para o xeque-mate. O resultado de cada batalha são novos poemas e prosas, formados por algo que vai além do que simples inspiração. São sentimentos que automaticamente geram sorrisos verdadeiros, capazes de ofuscar as lágrimas, e lágrimas que somam-se a olhares profundos transmitindo as sensações escondidas nos recôncavos da alma.

Mas não é apenas isso!

Escrevo porque um dia, em um passado nem tão distante, encontrei a inspiração que faltava em minha vida para que me encantasse pela excitação causada ao acordar sabendo que não teria um dia como qualquer outro. Os dias passaram a ser diferentes quando compreendi o motivo do meu viver e que minha felicidade jamais seria instantânea enquanto pudesse sonhar acordado com o inevitável e futuro encontro com o que passou a ser a razão da minha existência.

Escrevo para dar voz a este sentimento que transborda do meu coração, declarando aos quatro ventos tudo o que preenche o meu corpo com um intenso amor pela vida. Escrevo sobre quem que me ensinou a amar e a viver. Escrevo para você porque sem você de nada adiantaria.

Sobre o Autor
Ricardo Biazotto nasceu em Espírito Santo do Pinhal, São Paulo, em 1993. Participou de várias coletâneas literárias, entre elas Amor nas entrelinhas, Ponto reverso, King Edgar Hotel e Marcas Eternas, da Andross Editora, e organizou a Antologia Comemorativa dos quinze anos da Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro. É colunista da Revista Rosa News. Mantém o blog overshockblog.com.br.
Contato com o autor: ricardo.sep22@gmail.com

#Coluna - Nas Entrelinhas - Você e Eu, por Ricardo Biazotto

Você e Eu
Ricardo Biazotto

Talvez você não tenha noção de tempo, mas saiba que já se passaram três anos desde que te encontrei em sonhos pela primeira vez e descobri um amor que imaginava ser possível apenas nas páginas dos livros. É engraçado pensar que até então sequer a conhecia, mas já a amava como se fosse a responsável pelo ar que respiro. Era como se o sopro vital da minha vida viesse de você. Eu me sentia incompleto, por não tê-la ao meu lado, mas ao mesmo me sentia leve, apenas por saber que éramos iluminados pelas mesmas estrelas do céu.

Sentia como se já estivéssemos em total sintonia, embora ainda não pudesse imaginar que a garota que precedia os meus sonhos fosse real. Foi apenas ao te encontrar, em um mundo real, que tive a certeza de que gostaria de tê-la ao meu lado… Por todos os dias da minha vida. Bastou uma troca de olhares, quando nos sentamos sob uma árvore, para que as dúvidas se calassem. Bastou um toque em sua pele para ter a certeza de que estava entregue a um único sentimento.

Não era a paixão surgindo misteriosamente. Era o amor deixando a profundidade do meu peito para ganhar todas as minhas artérias e involuntariamente invadir a minha mente.

Um único encontro me mostrou que era diferente. Sua delicadeza angelical, a doçura de sua voz e a sinceridade em seu olhar eram a prova de que fora criada cuidadosamente por um ser divino. No mesmo instante a escolhi como a protagonista do livro dos meus dias. Era a primeira vez que ao olhar para uma pessoa sentia algo mágico, como se duas luzes especiais saíssem de nossos olhos e se encontrassem pelo breve instante necessário para que o destino escrevesse os nossos futuros.

E todos pareciam concordar que nossos futuros estavam interligados e os nossos corações entrelaçados, prontos para que, de mãos dadas, embarcássemos no mais belo livro que um dia conheci: o da nossa história. Nele, seríamos protagonistas de uma história de amor capaz de explicar o motivo de todos desejarem o mais intenso dos sentimentos. O sentimento que encontrei naquela noite em que apareceu em meus sonhos, impecável em um vestido de seda azul e rodopiando entre as flores de um jardim que por alguns momentos era só nosso.

Mas de nada adiantou todos insistirem que fomos feitos um para o outro. Era necessário mais do que a magia de um grande amor para que nossos dedos se entrelaçassem e eu pudesse ajoelhar em sua frente para a entrega da aliança que selaria toda uma história, iniciada em um sonho inesquecível. Era preciso conquistá-la. Mostrar que o que sentia era algo de outro mundo. Precisava encontrar uma forma de desvendar os desejos, escondidos por trás de um semblante misterioso, de alguém que parecia temer o simples fato de ser amada.

E meu amor por você era tão grande que as lágrimas que percorriam meu rosto eram prova da felicidade que fazia eu me sentir completo apenas por sua existência.

Não tive tempo de conquistá-la. Talvez sequer tenha passado por sua cabeça a intensidade deste sentimento que me inebria, a ponto de passar horas no cenário do nosso primeiro encontro, apenas para senti-la mais perto do meu futuro. Mas não me importo. Tenho a certeza de que nossas vidas estão destinadas e, cedo ou tarde, meus braços envolverão seu corpo para nunca deixá-la partir.

Enquanto isso não acontece, deito sob a luz do luar, me perguntando se você em algum momento imagina nossa vida lado a lado. E honestamente espero que sim. Afinal, temos provas suficientes de que nossos sonhos e loucuras se completam. Isso qualquer pessoa pode notar. Basta observar o encontro de nossos olhares, sincero e intenso, que faz meu coração pulsar apaixonado como quem ama por uma vida inteira. Basta notar a sintonia, a cumplicidade, o carinho e o amor que descaradamente emanam de nós dois.

E todo mundo já percebeu que estamos em uma mesma frequência. Que eu a amo por todas as vidas que vivi e todas aquelas que ainda estão por vir.

Até parece que você e eu nascemos um para o outro.

Só estou esperando que alguém lhe revele que estarei ao seu lado até o fim dos nossos dias e que não demorem a fazê-lo — apesar de esperá-la pelo tempo que for necessário. Espero que dessa vez você se entregue a um amor puro e verdadeiro, que preencherá seu peito da eterna paz de duas almas gêmeas que se completam e que foram destinadas a permanecerem unidas. Pela eternidade.

Sobre o Autor
Ricardo Biazotto nasceu em Espírito Santo do Pinhal, São Paulo, em 1993. Participou de várias coletâneas literárias, entre elas Amor nas entrelinhas, Ponto reverso e King Edgar Hotel, da Andross Editora, e organizou a Antologia Comemorativa dos quinze anos da Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro. É colunista da Revista Rosa News. Mantém o blog overshockblog.com.br.
Contato com o autor: ricardo.sep22@gmail.com

#Coluna - Nas Entrelinhas - Tão idiota, por Ricardo Biazotto

Tão idiota
Ricardo Biazotto



Meus dedos tocam sua pele involuntariamente e parece ser o sinal de que esse é o momento.

Seguro suas mãos, acaricio-as e penso que chegou a hora de falar as verdades que têm me mantido calado por tanto tempo. Você precisa ouvir e vai me desculpar por não mais aguentar olhar para a sua cara linda e ver estampada, em letras garrafais, destacadas no centro de sua testa, a palavra que melhor a define: IDIOTA!

Sei muito bem que talvez isso pareça grosseiro vindo de um amigo e, caso berre em seu ouvido, estranhará ouvir tal palavra saindo de minha boca, porém o que posso fazer se minha única vontade é segurar seus ombros e implorar, por todos os deuses, que largue de ser tão idiota?

Será que só você não percebe que tudo passou dos limites e que está fazendo papel de boba? Você merece muito mais do que esse infeliz é capaz de lhe dar e é por isso que me pergunto o que continua fazendo com ele. Me recuso a acreditar que o ame a ponto de aceitar os erros, perdoar as falhas e conviver com as merdas que ele repete diariamente, como se tivesse uma única intenção: machucar a maior idiota que um dia respirou o ar puro da nossa existência.

Existe uma grande diferença entre amar alguém e amar a dor. Se continua com ele, apesar de todos os pesares, só pode amar o próprio sofrimento. E isso é o que corrói o meu coração.

Mas acorda para a vida, sua idiota! Preste atenção, ao menos uma vez. Se o fizer, perceberá que existe algo muito mais intenso e belo ao alcance das suas mãos. Basta notar quem está ao seu lado em todas as brigas e as decepções causadas por esse infeliz que quer apenas te machucar. Nada além disso!

A você, que tanto admiro, sou capaz de me entregar de corpo, alma e coração. Se quer apenas o calor humano, estou de braços abertos para recebê-la. Se quer amor, o meu por você é mais verdadeiro, pode apostar — afinal no amor verdadeiro não existe sofrimento. Se o que quer é subir ao altar, eu lhe prometo ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. Se quer amizade eterna, sou capaz de assinar os termos de compromisso. Agora mesmo! Mas se quer simplesmente poemas, garanto que sei recitar Shakespeare, Pessoa e Vinícius, não necessariamente nessa ordem.

Só preciso que pare de ser idiota. Não pense que cansei de ouvir suas lamentações, tampouco que seria capaz de abandoná-la caso volte a derrubar lágrimas por ele. Na verdade, cansei apenas de ver lágrimas deixando marcas de tristeza em seus olhos. Cansei de te ver sofrendo, indefesa como um pássaro de asas cortadas, e sem poder fazer absolutamente nada por você. Sem poder acalentá-la nessa noite fria em que tudo o que deseja é não passar sozinha.

E prometo jamais te deixar sozinha. Vou estar ao seu lado sempre que soltar suas gargalhadas gostosas de se ouvir e também quando as lágrimas, essas de emoção, percorrerem sua face após as palavras saírem de minha boca para confirmarem o carinho que sinto por você.

Não me importo de não ter o seu amor ou mesmo o seu corpo. Não me importo com nada disso. Apenas quero cuidar de você o tempo que for necessário e como for necessário para te ver feliz. Diferente do que está acontecendo. E para isso peço apenas que pare de ser assim… Tão idiota.

Sobre o Autor
Ricardo Biazotto nasceu em Espírito Santo do Pinhal, São Paulo, em 1993. Participou de várias coletâneas literárias, entre elas Amor nas entrelinhas, Ponto reverso e King Edgar Hotel, da Andross Editora, e organizou a Antologia Comemorativa dos quinze anos da Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro. É colunista da Revista Rosa News. Mantém o blog overshockblog.com.br.
Contato com o autor: ricardo.sep22@gmail.com